Estudo genético sobre homem do neolítico
A múmia mais completa de sempre foi encontrada em 1991, nos Alpes italianos, continua anda hoje a ser uma fonte de informação. Recentemente foram reveladas as conclusões da análise genética do seu ADN. A múmia Ötzi teria olhos castanhos e pele branca, era intolerante à lactose e tinha disposição genética para ter problemas cardíacos, revela um estudo publicado na revista Nature Communications.A história deste representante do neolítico morreu há 5300 anos, por motivos mais ou menos misteriosos, mas que envolveram certamente uma seta que carrega no ombro esquerdo e um corte na mão direita, é rica em detalhes conhecidos nos últimos 20 anos.
Em 1991, um casal de alpinistas alemão encontrou no Vale Ötzal, a 3120 metros de altura, um corpo mumificado, que estava protegido há milénios da deterioração pelo frio, pela escuridão e pelo gelo. O Homem do Gelo foi encontrado e descrito como a múmia, Ötzi encontrando-se mais completo do que os faraós egípcios, pois continua a ter todos os órgãos, que nos faraós foram retirados. Tinha 1,59 metros, pesava em vida 50 quilos e quando morreu teria cerca de 46 anos. Vestia couro de cabra e tinha-se alimentado recentemente, de carne de veado e cabra.
O cabelo era rico em arsénio e cobre, o que poderá indicar que trabalhava com a fundição de cobre. Com ele viviam uma série de parasitas: piolhos do cabelo, piolhos do corpo e lombrigas. Sofria de artrose e para um homem do neolítico viveu bastante tempo.
Já a causa da sua morte é mais especulativa, primeiro julgou-se que tinha sido apanhado numa tempestade de neve, depois descobriu-se que tinha uma seta enfiada no ombro esquerdo que o terá ferido mortalmente e uma outra ferida profunda na mão direita. Os cortes tê-lo-ão feito perder sangue durante horas, em sofrimento, até morrer e indicam ter havido uma luta mas com quem e em que contexto, não se sabe.
Os novos dados caracterizam a genética e fisiologia deste antepassado. A equipa liderada por Albert Zink, do Instituto de Múmias e do Homem do Gelo, ligado ao Museu Arqueológico de Bolzano, em Itália, onde ainda hoje se encontra a múmia, analisou o seu ADN celular pela primeira vez.
Até agora, só se tinha sequenciado o ADN das mitocôndrias, as baterias das células, desta vez, com a ajuda de uma nova tecnologia sequenciou-se o ADN dos cromossomas de Ötzi.
Os resultados mostram que o Homem do Gelo tinha “provavelmente olhos castanhos era intolerante à lactose, além disso, tinha pele branca e tendência genética para aterosclerose coronária" revela o artigo.
“Andámos a estudar o Homem do Gelo durante 20 anos, sabemos tantas coisas sobre ele, onde viveu e como morreu mas sabíamos muito pouco sobre a sua genética e a informação genética que carregava consigo”, disse Albert Zink à BBC News. A equipa também encontrou informação genética da bactéria que causa a doença de Lyme, que é transmitida pela carraça. Sabe-se que se trata da indicação mais antiga desta doença.
Esta nova análise de Ötzi também serviu para comparar a sua assinatura genética com as populações humanas que existem hoje na Europa e os resultados foram surpreendentes. A população geneticamente mais próxima do Homem do Gelo vive hoje na ilha da Sardenha, no Mediterrâneo.
Uma das hipóteses é a população na Sardenha “representar uma relíquia da população genética que existia na Itália durante a pré-história, mas que agora está transformada devido fenómenos de migrações e mistura genética posteriores”, sugeriu Peter Underhill, investigador da Universidade de Stanford, na Califórnia, que faz parte da extensa equipa de investigadores.
Todos nós ficamos à espera dos próximos capítulos sobre esta história extraordinária de Ötzi, o homem do neolítico.
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