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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 6 de outubro de 2023
O meu discurso da sessão de lançamento do livro “Ultramar Colonial (1961-1974). O Modo Português de Fazer a Guerra”
DISCURSO DA SESSÃO DE
LANÇAMENTO DO LIVRO
“Ultramar Colonial
(1961-1974). O Modo Português de Fazer a Guerra”
Excelentíssimo Senhor Tenente-General Chito Rodrigues
Excelentíssimo
Senhor Diretor-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, Dr. Silvestre
Lacerda
Excelentíssimos
Senhores Generais
Excelentíssimos membros da mesa de honra, MGen Aníbal Flambó, Coronel Carreira Martins e Doutor Francisco Abreu
Caros camaradas, amigos, minhas senhoras e meus senhores, ilustres convidados, bem-vindos a esta sessão de lançamento do livro: “Ultramar Colonial (1961-1974). O Modo Português de Fazer a Guerra”.
É uma honra estar
aqui presente perante tão distinta plateia e dirigir-vos algumas palavras. Primeiro,
de agradecimento e, posteriormente, sobre a obra que nos reúne aqui.
Aproveito a
oportunidade para agradecer o apoio incondicional e o companheirismo de um
conjunto de pessoas que muito estimo e sem as quais esta obra não chegaria a
ver a luz do dia.
Primeiramente, quero
agradecer ao Coronel Carreira Martins pela magnífica apresentação da obra e ao
qual estou sinceramente grato e reconhecido pelo precioso apoio, camaradagem e
amizade nesta jornada, que agora chega a bom porto. Ao Major-General Aníbal
Flambó todo o apoio que prestou à publicação desta obra, tanto a nível
institucional como a nível pessoal; agradeço à Dra. Fernanda Nunes o seu contributo
incondicional na leitura atenta dos textos sempre com oportunas sugestões e
motivação constante, a fim de alcançar o almejado resultado final. Aos meus
camaradas, que servem no Arquivo Histórico Militar, especialmente, ao Major
Hélder Alves e à Sargento-Ajudante Marta Sintra pela disponibilidade
demonstrada e pela inexcedível e prestimosa colaboração. À Dra. Susana Pinheiro
pela dedicação e ajuda na construção dos índices automáticos e dos gráficos. Ao
Dr. António Pais, à Dra. Sara Loureiro e à Dra. Ana Cristina pela ajuda na
investigação documental e nas bases de dados do Arquivo.
Agradeço a colaboração da Investigadora Luísa Amaral e do Capitão-de-mar-e-guerra Miguel Judas no apuramento dos dados relativos aos antigos combatentes; à Doutora Ana Vaz Milheiro pelas várias conversas acerca do livro e sugestões nas abordagens, principalmente relacionadas com a questão dos “Aldeamentos”, assim como pelo apoio institucional à publicação desta obra, no âmbito do projeto Archwar. Agradeço, muito particularmente, ao Coronel Aniceto Afonso os inestimáveis contributos na produção deste trabalho e o excelente prefácio que em muito valoriza a obra, tendo em conta a sua experiência militar e o seu extraordinário conhecimento académico sobre a História Militar. Por último, quero agradecer, à minha família a compreensão e o apoio que me proporcionou desde o início desta longa jornada.
Sobre a Obra
A obra hoje
apresentada resultou de um processo de investigação, enriquecimento permanente,
de estudo e análise, principalmente de documentos originais produzidos pelas
Forças Armadas Portuguesas, no âmbito da Guerra em África (1961-1974).
Os documentos
estudados pertencem, principalmente, ao Exército e encontram-se disponíveis no
Arquivo Histórico Militar, especialmente no que respeita aos Capítulos que tratam: o início da Guerra do Ultramar, o Modo
Português de Fazer a Guerra e os Três Teatros de Operações: Angola,
Guiné-Bissau e Moçambique.
Não obstante,
foram realizadas vastas leituras e referências a trabalhos já publicados. Portanto,
não se trata de uma obra de pura doutrina positivista pois contém a visão do
Exército, à época, e o caráter sempre subjetivo que o autor lhe impõe.
A obra apresenta-nos inicialmente uma contextualização
da Guerra em várias vertentes:
- No plano
geopolítico, onde Portugal se debateu com as influências e interesses
internacionais num contexto hostil e complexo;
- A importância
estratégica das Províncias Ultramarinas num contexto de Guerra Fria;
- A
independência de novos países africanos limítrofes das Províncias Ultramarinas;
- A subversão
fomentada pela União Soviética, no quadro de uma política internacionalista e a
crescente influência da China em África;
Este livro apresenta-nos “o Modo Português de Fazer a Guerra” pelas Forças Armadas Portuguesas, que conceberam e concretizaram uma nova forma de fazer a guerra num contexto político-militar de elevada complexidade.
Pretendemos demonstrar que a estratégia de ação psicológica foi fundamental na conquista das populações. Assim, a promoção económico-social passou a ser a verdadeira luta, com o grande objetivo de impedir e subtrair a iniciativa ao processo subversivo.
Simultaneamente,
usou-se a força da razão e a força das armas, garantindo uma manobra bem
planeada de contra-subversão.
As ações
psicológicas fundaram-se, de uma forma geral, no apoio à educação, no apoio
sanitário, na construção de obras públicas, nas infraestruturas, nos
transportes e na mobilização das populações, visando a proteção e o desenvolvimento
das condições de vida.
O Povoamento
Estratégico, a par do Recrutamento Local, foram dois vetores essenciais que
caraterizaram “O Modo Português de Fazer
a Guerra”.
Como resultado da ação psicológica e a falta de recursos humanos, o recrutamento local aumentou exponencialmente, tendo atingido valores na ordem dos 50% de indivíduos recrutados localmente.
A finalidade
última da estratégia de ação psicológica seria garantir o tempo suficiente para
se alcançar uma solução política, anulando as razões básicas da subversão e
assim conquistar os corações e as almas da população.
O impacto da Guerra do
Ultramar estendeu-se por um período de 13 anos e determinou a forma como a ditadura portuguesa do Estado Novo havia
de cair a 25 de abril de 1974. Ainda hoje está presente nas famílias e na
sociedade portuguesa.
Esperemos que
todos os leitores desfrutem da obra “Ultramar
Colonial (1961-1974). O Modo Português de Fazer a Guerra”.
E mais uma vez,
obrigado pela vossa presença.
Bem Hajam!
Lisboa,29 de
setembro de 2022
domingo, 2 de julho de 2023
terça-feira, 21 de março de 2023
sexta-feira, 26 de agosto de 2022
Ultramar Colonial (1961-1974). O Modo Português de Fazer a Guerra.
A Guerra do Ultramar foi um acontecimento de enorme impacto na sociedade e na política portuguesas das décadas de 1960 e 1970. Determinou a forma como a ditadura portuguesa do Estado Novo havia de cair a 25 de Abril de 1974. Este livro mostra-nos que os militares portugueses, de 1961 a 1974, conceberam e concretizaram uma nova maneira de fazer a guerra num contexto político-militar de elevada complexidade.
domingo, 3 de julho de 2022
sábado, 15 de maio de 2021
segunda-feira, 16 de novembro de 2020
sábado, 27 de junho de 2020
Brasileiros procuram arquivo militar em busca de provas de ascendência portuguesa - DN
terça-feira, 31 de março de 2020
terça-feira, 19 de novembro de 2019
A Vaca Leiteira da ADM
terça-feira, 9 de julho de 2019
quarta-feira, 5 de junho de 2019
sexta-feira, 9 de novembro de 2018
segunda-feira, 5 de novembro de 2018
terça-feira, 21 de agosto de 2018
Esta lei marca o fim da utilização desta condenação, tendo sido mandada aplicar a todo o império colonial por Decreto de 9 de junho de 1870, determinando o fim da pena de morte nos crimes civis em todas as províncias ultramarinas: “A Vossa Majestade [D. Luís] coube a glória de assinar a lei que extinguiu a escravidão em todas as possessões portuguesas. A Vossa Majestade caberá também a glória de ter abolido a pena de morte não só no continente e ilhas adjacentes, como também em todas as possessões ultramarinas que pertencem ao reino de Portugal”.[4]
O soldado João de Almeida
Boletim Individual do CEP, soldado João de Almeida
Uma semana depois o seu destino começou a ser traçado. A 30 de junho, um Soldado do Batalhão de Infantaria 23, António Rei foi chamado pelo Capitão Mouzinho de Albuquerque, a quem informou que o Soldado João de Almeida andava a tentar saber qual era o melhor caminho para chegar às linhas alemãs. Neste momento foi de imediato instaurado um processo de averiguações com vista ao apuramento da verdade dos factos.
A acusação
O processo de averiguações teve o seu término a 8 de agosto de 1917. Nesse processo ficou registado que o soldado João de Almeida cometeu vários crimes. Tendo em consideração a gravidade da situação, o processo foi despachado pelo próprio comandante do CEP, general Fernando Tamagnini de Abreu e Silva.
Rol de testemunhas
PT AHM-DIV-1-35-439-01

Cartas topográficas, como prova do crime de traição à pátria
PT/AHM/DIV/1/35/0439/01
PT AHM-DIV-1-35-439-01
Por esse motivo, dizia que provavelmente esse alemão já fosse oficial e que logo que chegasse às linhas inimigas " perguntaria por ele e certamente este o empregaria no Quartel-General ou em outro qualquer serviço".
O julgamento ficou marcado para o dia 15 de agosto, sendo que o júri teria que se pronunciar sobre os seguintes sete quesitos (transcrição):
1. O facto de o arguido, em 29 de julho, encontrando-se na primeira linha, tentar passar para o inimigo, perguntando a várias praças o caminho e oferecendo a uma praça dinheiro para que lhe prestasse essa informação;7. O estar ou não provado o imperfeito conhecimento do mal do crime.
PT/AHM/DIV/1/35/0439/01
A reabilitação moral
No dia 14 de setembro de 2017, o Conselho de Ministros aprovou uma deliberação através da qual propõe ao Presidente da República a adoção de ato gracioso de reabilitação moral do Soldado João Ferreira de Almeida.
De acordo com o comunicado do Conselho de Ministros, "justifica-se um ato de reconciliação que permita reabilitar o último condenado à morte, permitindo a reintegração do nome do Soldado João Ferreira de Almeida entre aqueles cuja memória é recordada nas cerimónias de evocação Grande Guerra".Afirmando, que a sua reabilitação moral corresponde a uma aspiração da Liga dos Combatentes, o Conselho de Ministros sublinha que "não está em causa nem a reapreciação ou perdão da pena mas tão-só a prática de um ato simbólico e humanitário, que se traduza na reabilitação da memória" de alguém que perdeu a vida através de "uma pena contrária aos Direitos Humanos e aos valores consolidados na sociedade portuguesa".
[1] No reinado de Dª Maria II;
Afonso, Aniceto e Guerreiro, Marília, 1981, Um soldado português fuzilado na Flandres,
Fontes primárias Fotográficas
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PT/AHM/P29/AIII/L28/21591
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PT/AHM/P29/L7/7422
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PT/AHM/P29/AI/L13/10132
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PT/AHM/P29/AIV/L32/23533
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PT/AHM/P29/AII/L18/13033
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PT/AHM/P29/AVII/L64/37311
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PT/AHM/P29/AI/L12/9883
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PT/AHM/P29/AII/L18/12607
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PT/AHM/P29/AII/L17/11997
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PT/AHM/P29/AI/L16/11604
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Diário do Governo, nº 96, 26 de abril de 1911;
* Major, Joaquim José da Cunha Roberto, desempenha funções no Arquivo Histórico Militar, onde é Subdiretor desde dezembro de 2012;O livro em coautoria "A Batalha do Lys - Os Combatentes Portugueses (CAP VII - O Último Fuzilado);
Vários artigos sobre História Militar e Ciência da Informação.
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